A audição é a porta de entrada para a linguagem. É ouvindo que a criança aprende a falar, a entender o mundo ao redor e a se desenvolver socialmente. Por isso, qualquer alteração auditiva que não seja identificada e tratada precocemente pode ter impactos importantes no desenvolvimento da fala, da linguagem, da aprendizagem e do comportamento.
O problema é que a perda auditiva em crianças frequentemente passa despercebida. A criança não sabe o que está perdendo porque nunca ouviu de outra forma. E os pais, sem referência, muitas vezes não percebem os sinais.
A triagem neonatal (Teste da Orelhinha)
No Brasil, o Teste da Orelhinha (Triagem Auditiva Neonatal Universal) é obrigatório para todos os recém-nascidos antes da alta hospitalar. O exame é rápido, indolor e detecta a maioria das perdas auditivas congênitas.
Se o resultado for "falha", isso não significa necessariamente que a criança tem perda auditiva. Pode ser necessário repetir o teste ou realizar outros exames complementares. O importante é não deixar pendente.
Mesmo com triagem normal ao nascer, a perda auditiva pode aparecer depois, por isso a observação continua importante ao longo do desenvolvimento.
Sinais por faixa etária
Primeiros meses de vida
- Não se assusta com sons altos (palma, porta batendo)
- Não acalma com a voz dos pais
- Não busca a fonte do som com os olhos ou com o giro da cabeça
- Sono muito profundo, não acorda com barulho
Entre 6 e 12 meses
- Não balbucia (não faz sons como "ba", "da", "ma")
- Não reage quando chamado pelo nome
- Não localiza a origem de sons ao redor
Entre 1 e 2 anos
- Não fala nenhuma palavra com significado por volta de 1 ano
- Não fala duas palavras juntas por volta de 2 anos
- Precisa de volume alto na televisão
- Parece não ouvir quando não está olhando para quem fala
Entre 2 e 5 anos
- Linguagem pouco desenvolvida para a idade
- Pronúncia muito difícil de entender
- Fala muito alto
- Não segue instruções simples
- Se distrai com frequência, parece "não prestar atenção"
Crianças em idade escolar
- Dificuldade de aprendizado sem causa aparente
- Pede para repetir com frequência
- Dificuldade com leitura e escrita (o ouvir mal interfere no aprender a ler)
- Se aproxima muito da televisão ou pede volume muito alto
- Parece mais atento quando vê o rosto de quem fala (pode estar lendo os lábios sem saber)
Causas mais comuns de perda auditiva em crianças
Otite secretora: Líquido no ouvido médio, muitas vezes sem dor e sem febre, que reduz a capacidade auditiva. É a causa mais frequente de perda auditiva temporária em crianças.
Otites de repetição: Episódios frequentes de inflamação do ouvido podem causar alterações no tímpano e no ouvido médio.
Rolha de cerume: Mais comum do que se imagina. O acúmulo de cera pode reduzir a audição temporariamente.
Causas congênitas: Algumas perdas auditivas estão presentes desde o nascimento e podem ser genéticas ou relacionadas a infecções durante a gestação.
Perda auditiva por ruído: Crianças também podem ter dano auditivo por exposição a sons muito altos, incluindo uso prolongado de fones em volume elevado.
Quando procurar avaliação?
A avaliação com otorrinolaringologista é indicada se:
- O Teste da Orelhinha resultou em falha
- Há algum dos sinais acima para a faixa etária da criança
- A criança teve otites de repetição
- Há atraso no desenvolvimento da fala
- Familiares próximos têm perda auditiva precoce
- Os pais têm qualquer suspeita, mesmo que sutil
A avaliação inclui exame otológico e testes auditivos adaptados para a idade da criança. O diagnóstico precoce abre as melhores possibilidades de intervenção.
Na audição infantil, tempo importa. Quanto mais cedo a alteração é identificada e tratada, maiores são as chances de desenvolvimento pleno da linguagem e da aprendizagem.
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As informações desta página têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o plano de tratamento são sempre individualizados e definidos após avaliação clínica.
