O ronco é um dos problemas de sono mais comuns na população adulta. Estima-se que cerca de 40% dos homens e 25% das mulheres roncam de forma habitual. Muitas vezes é tratado como algo engraçado ou inevitável, mas na verdade é um sinal de que as vias aéreas estão sendo parcialmente obstruídas durante o sono, e merece atenção.
Por que a pessoa ronca?
Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Em algumas pessoas, esse relaxamento é suficiente para estreitar ou parcialmente bloquear as vias aéreas. Quando o ar passa por esse espaço reduzido, faz vibrar os tecidos moles da garganta, gerando o som característico do ronco.
Fatores que aumentam o risco de ronco:
- Sobrepeso e obesidade (o acúmulo de gordura ao redor do pescoço estreita as vias aéreas)
- Consumo de álcool, especialmente à noite (relaxa ainda mais a musculatura da garganta)
- Uso de sedativos e soníferos
- Amígdalas ou adenoide aumentadas
- Desvio de septo nasal
- Posição de dormir de costas (a língua tende a cair para trás)
- Envelhecimento (os tecidos perdem tônus com o tempo)
Ronco simples versus apneia do sono
Nem todo ronco é apneia. Mas a apneia é muito mais comum do que se imagina, e frequentemente passa anos sem diagnóstico.
Ronco primário (simples): O som é presente, mas não há pausas na respiração nem quedas no nível de oxigênio no sangue. Pode incomodar quem está ao lado, mas o impacto na saúde é menor.
Apneia obstrutiva do sono: As vias aéreas ficam completamente bloqueadas por alguns segundos (ou até mais) durante o sono. O cérebro percebe a queda de oxigênio e manda um sinal para despertar brevemente. A pessoa geralmente não se lembra desses microdespertares, mas o sono fica fragmentado. Esses episódios podem se repetir dezenas ou centenas de vezes por noite.
Sinais que sugerem apneia
O parceiro de quarto muitas vezes é o primeiro a notar. Os sinais mais comuns incluem:
- Ronco alto e irregular, com pausas seguidas de engasgos ou suspiros
- A pessoa para de respirar por alguns segundos durante o sono
- Agitação noturna, troca de posição com frequência
Quem tem apneia frequentemente acorda com:
- Sensação de sono não reparador, mesmo depois de muitas horas na cama
- Dor de cabeça matinal
- Boca seca ou dor de garganta ao acordar
Durante o dia:
- Sonolência excessiva, especialmente em situações paradas (reuniões, direção)
- Dificuldade de concentração e memória
- Irritabilidade
Por que a apneia merece atenção
A apneia do sono não tratada está associada a riscos significativos para a saúde:
- Hipertensão arterial (a apneia é uma das causas mais frequentes de hipertensão resistente ao tratamento)
- Maior risco de infarto e AVC
- Arritmias cardíacas
- Diabetes tipo 2
- Piora da ansiedade e depressão
- Acidentes de trânsito por sonolência ao volante
Como é o diagnóstico?
A avaliação começa com uma consulta detalhada, anamnese e exame das vias aéreas superiores (nariz, boca, garganta, pescoço). Para confirmar o diagnóstico e quantificar a gravidade, é solicitado um exame de sono:
Polissonografia: Exame realizado em laboratório de sono, com monitoramento completo (respiração, oxigenação, frequência cardíaca, movimentos, fases do sono). É o padrão ouro para diagnóstico.
Poligrafia: Versão simplificada que pode ser realizada em casa, com um equipamento portátil. Indicada para casos com alta probabilidade de apneia moderada a grave.
Opções de tratamento
O tratamento depende da gravidade e das causas identificadas. Pode incluir:
- Mudanças de estilo de vida (perda de peso, redução do álcool, ajuste da posição ao dormir)
- CPAP: aparelho que mantém as vias aéreas abertas por pressão positiva de ar. É o tratamento mais eficaz para apneia moderada a grave.
- Aparelho intraoral: dispositivo usado na boca que reposiciona a mandíbula. Indicado para ronco e apneia leve a moderada.
- Cirurgia: em casos selecionados, pode ser indicada para correção de obstruções anatômicas (desvio de septo, amígdalas volumosas, alterações do palato).
Ronco persistente, especialmente quando acompanhado de cansaço diurno, merece investigação. A apneia do sono tem tratamento eficaz, e tratar faz diferença real na saúde e na qualidade de vida.
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